Templo Messiânico, Solo Sagrado de Atami

4 de fevereiro de 2015

Felicitações a todos pelo Culto do Início da Primavera!

O calendário indica que a primavera está chegando, mas a Região Norte do Japão ainda está coberta pela neve. Apesar do frio intenso, muitas pessoas vieram hoje ao Solo Sagrado.

As flores das ameixeiras vermelhas e brancas já exalam um perfume muito agradável no Solo Sagrado de Atami. Além disso, a exposição especial que celebra os 300 anos do falecimento de Korin Ogata (1658‐1716), nos traz o “Biombo das Ameixeiras” e o “Biombo da Flor de Íris”, ambos tesouros nacionais do Japão. A última vez em que estas duas obras foram exibidas juntas, foi em 1959, no Museu Nezu, em comemoração do casamento do príncipe Akihito, atual imperador do Japão. Ou seja, um fato que não se repete há exatamente 56 anos. Outras obras de Korin e de artistas que seguiram seu estilo, o Rinpa, estão expostas. Desejo que todos aproveitem esta oportunidade para visitar o Museu.

O Culto do Início da Primavera

No culto realizado há pouco, com profundo respeito, agradecemos a Deus e a Meishu‐Sama as bênçãos diárias, renovando nosso compromisso de dedicar cada vez mais. Além disso, gostaria de agradecer, como todos os senhores, a permissão de termos recebido Johrei de Kyoshu‐Sama.

Em um de seus poemas, Meishu‐Sama escreveu que sua obra brilha ainda mais com a passagem do Risshun [significa “início da primavera”. Segundo o calendário lunissolar oriental, é a data em que começa a primeira das 24 estações do ano. No Japão, ela é celebrada no dia 4 de fevereiro, quando também se costumava comemorar a chegada do Ano Novo]. Sendo assim, consideremos o culto de hoje como um marco para nos dedicarmos com mais sinceridade ainda à Obra Divina.

Gostaria de apresentar os 62 caravanistas que vieram da Tailândia participar do culto de hoje, acompanhados da reverenda Pairo, presidente da Igreja naquele país. Vamos recebê‐los com uma calorosa salva de palmas. Sejam bem‐vindos ao Solo Sagrado!

Sobre o Ensinamento do Culto

Agora há pouco, foi lido o Ensinamento “Ser Amado por Deus”. Nele, Meishu‐Sama nos ensina que “Basta estar no agrado d´Ele e o nosso trabalho se desenvolve satisfatoriamente; as pessoas juntam‐se ao nosso redor a ponto de nos incomodar; os recursos materiais nos chegam em tão grande quantidade, que mal podemos utilizá‐los em sua totalidade. O mundo, então, se torna um lugar agradável de se viver.” E também: “A fé só tem realmente valor quando somos felizes.”

Meishu‐Sama afirma que o ponto vital para ser amado por Deus é “não fazer o que O desagrada” e cita exemplos concretos: mentir, fazer o próximo sofrer e perturbar a sociedade. Devemos nos empenhar o máximo possível para não cometermos ações de tal natureza.

Ao analisarmos apenas o título, “Ser Amado por Deus”, somos levados a pensar que, possivelmente, existem inúmeras condições para isto. Porém, ao lermos o texto, nós nos deparamos com uma explicação breve e objetiva. Resumindo, Meishu‐Sama está nos ensinando que precisamos cumprir nossos compromissos e praticar intensamente o altruísmo em prol da sociedade para sermos do agrado de Deus e, assim, sermos guiados ao estado de felicidade.

Contudo, não devemos subestimar isso, considerando‐o algo óbvio. Sentiremos na própria pele o quanto é difícil ao tentarmos praticá‐lo. Por exemplo, até uma criança no jardim de infância sabe que não deve mentir. Nem por isso, isso significa que seja algo fácil. Pelo contrário, quanto mais o tempo passa e a pessoa amadurece, mais ela é levada pelas circunstâncias, necessidades e conveniências e, não raro, acaba dizendo mentiras que jamais passariam pela cabeça de uma criança.

A primeira regra do código de conduta de Yamaoka Tesshu

Meishu‐Sama menciona Yamaoka Tesshu (1836‐1888) no Ensinamento “O que é Limite”. Mestre em esgrima japonesa, zen e caligrafia, ele viveu do fim do regime feudal ao início do Período Meiji (1868‐1912) e contribuiu para a rendição pacífica do xogunato Tokugawa, conhecida como a Queda de Edo, ao preparar o encontro de Katsu Kaishu (1823‐1899), Ministro da Guerra de Tokugawa, com Saigo Takamori (1828‐1877), um dos principais líderes do movimento pró‐ restituição do poder ao imperador. Após a Restauração Meiji, Yamaoka Tesshu foi indicado por Saigo e seus correligionários para atuar como assessor do imperador Meiji, o que o tornou conhecido.

O alicerce que formou essa personalidade chamada Tesshu, foram as vinte regras do código de conduta que ele criou para si como um juramento, aos quinze anos de idade, e que respeitaria até o fim da vida. A primeira regra estabelecida por Tesshu foi: “Não mentir.”

O episódio a seguir demonstra bem o seu caráter. O fato ocorreu quando as tropas imperiais lideradas por Saigo Takamori avançaram até a região de Sunpu, atual cidade de Shizuoka, após seguir ao encalço das tropas do xógum. Katsu Kaishu quis encontrar‐se com Saigo, para comunicar que o xógum Tokugawa Yoshinobu (1837‐1913) iria render‐se. Contudo, Kaishu não tinha como contatá‐lo. Incumbido de preparar o encontro dos dois líderes, Tesshu partiu de Edo rumo a Sunpu, tomando cuidado de não ser descoberto pelas tropas imperiais, pois certamente seria assassinado.

Nas proximidades da cidade de Kawasaki, ainda no início da jornada, ele se deparou com um pelotão avançado das tropas inimigas. Mesmo assim, Yamaoka Tesshu seguiu adiante, desafiando mais de 100 homens armados com fuzis. Ele gritou: “Abram caminho! Eu, Yamaoka Tetsuro [nome de batismo de Tesshu] – servo do xógum Tokugawa Yoshinobu, inimigo do Império –, estou indo ao encontro do comandante maior das forças imperiais.” Atônitos perante tamanha coragem e franqueza, nenhum soldado impediu sua passagem.

Sabemos perfeitamente que a conjunção “se” não deve ser utilizada quando analisamos fatos históricos. Mesmo assim, se Yamaoka Tesshu não tivesse respeitado rigorosamente a regra “não mentir”, a rendição pacífica do castelo de Edo talvez não tivesse ocorrido, e o Japão teria acabado entrando em guerra, o que poderia levá‐lo a tornar‐se colônia das superpotências, pois estas aguardavam por essa brecha. Naturalmente, nós estaríamos vivendo uma situação completamente diferente da atual. Portanto, dependendo das circunstâncias, a honestidade pode ser capaz de mudar até mesmo o destino de uma nação.

Como todos sabem, desde os tempos em que era comerciante, Meishu‐Sama sempre foi honesto, mesmo que isto viesse a lhe causar prejuízos. A confiança obtida ao longo dos anos foi tão grande que a prestigiada loja de departamentos Mitsukoshi fez questão de estabelecer relações comerciais com ele. Precisamos aprender com o exemplo de Meishu‐Sama bem como devemos nos esforçar para não mentir e ser honestos.

Comecemos por “não mentir para nós mesmos”

Mesmo dizendo uma única frase, “não mentir”, creio que esta atitude constitui‐se de três níveis.

O primeiro seria não mentir para si mesmo. Quem não é honesto consigo, dificilmente será honesto com as pessoas e, muito menos, com Deus. Antes de mais nada, devemos sê‐lo com nós mesmos. Para tanto, temos que evitar fingir ser o que não somos, enganar ou viver nos justificando. Devemos ser quem somos, criar um “segundo eu”, como Meishu‐Sama nos ensina, e olhar para nós mesmos de maneira objetiva. Se descobrirmos algum problema, que o corrijamos sem hesitação. Se não houver nenhum, que avancemos destemidamente. É necessário ser puro, íntegro.

O segundo nível consiste em não mentir para as outras pessoas. Se acreditarmos, do fundo do nosso coração, que a partícula Divina habita cada pessoa e junto a ela está Meishu‐Sama, creio que não conseguiremos mais mentir, restando‐nos somente a honestidade como alternativa.

O terceiro é não mentir para Deus. Para os fiéis, isto pode parecer uma afirmação óbvia. Contudo, será que, na prática, é assim mesmo? Ao longo da vida, eu e os senhores viemos firmando compromissos e comunicando nossas firmes decisões a Deus e a Meishu‐Sama, não foi? Contudo, estou certo de que, por inúmeras vezes, nós acabamos não as concretizando, ou seja, não cumprimos os compromissos assumidos. No final das contas, é como se tivéssemos mentido.

Objetivando sermos pessoas honestas com nós mesmas, com o próximo e com Deus, gostaria que nos esforçássemos, incansavelmente, para nos elevarmos espiritualmente.

A honestidade e a prática do Johrei

Contudo, mesmo dando o máximo de si para ser honesto, todo ser humano corre o risco de se deparar com obstáculos que podem fazê‐lo falhar. Isto é fato. A prática intensa e exaustiva do Johrei é um caminho para aqueles que desejam ultrapassar os próprios limites.

Devido aos seus imensuráveis resultados, o Johrei acaba sendo considerado como um método para a cura de doenças, mas, originalmente, ele possui o poder de controlar a atuação do Espírito Secundário e de ativar a atuação da partícula Divina (Espírito Primordial). À medida que praticamos o Johrei com mais intensidade e plenitude, deixamos de mentir e ganhamos mais força para sermos honestos.

É melhor por meio do Johrei do que dos sermões

No livro “Reminiscências sobre Meishu‐Sama”, há um episódio em que Meishu‐Sama transmite a seguinte orientação a um ministro:

“Quando a pessoa recebe Johrei, a atuação do Espírito Primordial se revigora. (…) Se receber Johrei, mesmo não se fazendo sermões formais e enfadonhos, naturalmente, a atuação do Espírito Primordial começa a produzir efeito; a alma é purificada; desperta na pessoa a vontade de salvar o próximo e ela mesma torna‐se feliz” [trecho de “O Johrei aumenta a atuação do Espírito Primordial”, Reminiscências sobre Meishu-Sama Vol. 2, 3ª edição, p. 83].

Precisamos reconhecer estas palavras de Meishu‐Sama como uma mensagem endereçada a cada um de nós.

Sempre desejei tornar‐me um grande ministro e, logo que me tornei integrante, meu único pensamento era: “Como fazer difusão? Como encaminhar pessoas? Qual será a melhor maneira de transmitir minha mensagem aos outros?”

Um dia, conscientizei‐me de algo muito importante. No trabalho missionário, mais do que explicar algo, precisamos deixar que a pessoa, recebendo Luz através do Johrei, sinta a atuação da força de Deus, conhecendo assim Meishu‐Sama.

Até então, eu pensava que seria melhor ministrar Johrei depois que a pessoa o compreendesse, mas entendi que o correto é ministrá‐lo primeiro. Agindo assim, aqueles que possuem afinidade sentirão algo ao recebê‐lo. Isto é muito importante.

Todos já devem ter passado por uma experiência semelhante: quanto mais tentamos explicar antes mesmo que nos perguntem algo, mais a pessoa acaba perdendo o interesse. Ao contrário, quando deixamos as explicações para depois e, antes de mais nada, ministramos‐lhe Johrei, ela comenta que se sente aliviada, saboreia uma sensação agradável ou sente o corpo aquecer durante o Johrei. Agindo dessa forma, a própria pessoa fará perguntas e, se explicarmos contando nossa experiência, naturalmente tudo se encaminhará para um resultado satisfatório. Ao aprender isto durante minha dedicação, senti‐me mais leve e passei a dedicar na difusão com mais alegria.

Em comemoração dos 80 anos da instituição da nossa Igreja, recebemos uma réplica da caligrafia de Meishu‐Sama “Fukutoku Enman”. Imediatamente, mandei emoldurá‐la e a pendurei em meu gabinete. “Fukutoku” quer dizer “a felicidade e as bênçãos que nos são concedidas por praticarmos o Bem”. “Enman” significa “plenitude e satisfação”. O pré‐requisito para cada pessoa ser alçada a essa condição é ser amada por Deus, estar no Seu agrado. Desse modo, eu gostaria que, ao menos uma vez por dia – por exemplo, antes de dormir –, refletíssemos com tranquilidade se, ao longo do dia, fomos dignos ou não de receber o amor de Deus e fazer desta prática um alimento para nosso crescimento e evolução.

As caligrafias de Meishu‐Sama manifestam plenamente o sentido das palavras que as compõem. Lembro‐me que, quando era criança, minha mãe ganhou a caligrafia “Paraíso Terrestre”. Ela me contou que, logo após ter recebido o Ohikari, meu pai começou a ficar de mau humor e irritado sem motivo.

Não sabendo o que fazer, minha mãe pediu conselhos ao ministro, que a orientou a receber a caligrafia “Paraíso Terrestre”. Obediente, minha mãe a solicitou e entronizou‐a na sala de estar. Desde então, inacreditavelmente, meu pai se acalmou. Da mesma forma, desejo que, acreditando que Meishu‐Sama atua por meio de suas caligrafias, os senhores recebam e exponham a caligrafia “Fukutoku Enman” em suas casas e edifiquem um lar cada vez mais feliz.

Encerro minhas palavras desejando que todos continuem se empenhando para receber a Luz de Deus e Meishu‐Sama através da prática intensa do Johrei, envoltos pelas orações de Kyoshu‐Sama.

Muito obrigado.

Presidente Mundial, Revmo. Massayoshi Kobayashi.