Chamo-me Igraça Domingos, tenho 38 anos de idade, sou membro e resido no Bairro Papelão, Zona 3. Dedico como Assistente do Grupo Lua da Rede de Salvação de meu bairro.

Conheci a Igreja Messiânica Mundial de Angola no dia 9 de Outubro de 2003, por intermédio de um membro desta Igreja a quem agradeço profundamente.

Os motivos que me levaram a conhecer este maravilhoso caminho da salvação foram doenças e conflitos. Quanto à doença, sofria de febre tifoide, maus sonhos e insónia durante um ano e sete meses.

Na época, fiz vários tratamentos modernos e tradicionais, na tentativa de ultrapassar o sofrimento que me afligia, mas a minha situação de saúde foi se agravando cada vez mais. Fiquei tão magra que fui acusada pelas amigas de que era portadora de HIV (soropositiva). Esse facto chegou à rádio Uíge e outros meios de comunicação social, razão pela qual fui sendo alvo de muitas críticas e maus tratos por parte dos vizinhos e de pessoas mais próximas. Também fui afastada do seio familiar e totalmente desprezada por todos. Nas unidades hospitalares locais, era descriminada e rejeitavam me tratar porque acreditavam que eu era soropositiva e a minha doença já não tinha solução. Desamparada, tornei-me mendiga, pedindo esmolas para sobreviver.

Com a ajuda de algumas pessoas desconhecidas, recebi um valor monetário que facilitou o meu deslocamento à Província de Luanda, a fim de procurar uma melhor assistência médica no Hospital Sanatório, e apoio dos meus familiares residentes na referida província. Naquela altura, o senhor que mais tarde me encaminhou à Igreja, tinha uma sobrinha que sofria de constantes desmaios, que a levavam a se internar frequentemente em Hospitais. Com a assistência feita à sua sobrinha, esta saiu do sofrimento que a afligia constantemente. Vendo este milagre e ouvindo as experiências de fé que ocorrem na Igreja Messiânica relatadas por esse senhor, despertou-me o interesse de conhecer a igreja e, de seguida, pedi que me levasse à Unidade Religiosa mais próxima, porque em mim já não sobravam esperanças de vida.

Na Nave, fui recebida e orientada sobre as práticas básicas da Fé Messiânica:

  • Receber 10 Johrei por dia;
  • Manter a flor de luz em casa;
  • Participar dos cultos matinais e vesperais;
  • Fazer o autoexame da fé;
  • Encaminhar pessoas à fé;
  • Participar das dedicações.

Cumpri as orientações com todo afinco, pois no dia em que recebi o primeiro Johrei consegui dormir tranquilamente, ultrapassando assim a insónia!

Passei a dedicar fervorosamente, cumprindo as orientações recebidas, e para o meu espanto, comecei a registar melhorias. As pessoas começaram a notar mudanças em mim, pois o emagrecimento e todos os problemas que me assolavam foram sendo ultrapassados paulatinamente. Foi assim que voltei a fazer exames médicos e os resultados foram negativos, o que fortaleceu ainda mais as minhas dedicações, e nasceu em mim a vontade de servir na Obra Divina. Na altura, materializei o meu donativo de outorga e recebi o sagrado Ohikari no dia 24 de Janeiro de 2004.

A Experiência de Fé que partilho com os senhores está relacionada com a mudança do Sonen e a entronização do Altar do Lar em minha casa.

Apesar de ser membro da Igreja há 12 anos, ainda enfrentava severas dificuldades tanto nas dedicações como na vida pessoal. O meu filho aos 7 anos de idade abandonou os estudos e começou a praticar roubos, causando prejuízos a terceiros. Foi assim que resolvi outorgá-lo, na tentativa de resolver o problema, mas, após receber o Ohikari, as dificuldades foram acelerando cada vez mais. Meu filho enquadrou-se num grupo de marginais, que faziam o uso excessivo de álcool, drogas e praticavam assaltos nas ruas e nas casas. Como consequência, fomos alvo de perseguição pelos vizinhos e sempre que alguém na vizinhança perdia algo em sua casa, o meu filho era o acusado. Por isso, eu e os meus filhos por várias vezes fomos espancados pelos vizinhos e ainda forçados em devolver as coisas, senão iriam vender nossa casa e o terreno. Em face dessa situação, procurei orientação dos meus superiores, mas mesmo assim lamuriava constantemente.

Além disso, minha filha passou a apresentar comportamentos negativos, pois já não me respeitava, vivia fora do seio familiar e quando ficava grávida, abortava. Todos os meus filhos preferiam ficar fora do convívio familiar, passando as noites nos locais inadequados onde faziam as refeições. Em face dessa situação, passei a procurá-los na casa mortuária e prisões, mas não os encontrava. Essas situações para mim não eram motivo para manifestar gratidão a Deus nem reconhecer que era sinal dos meus antepassados querendo salvação no Mundo Espiritual.

Por várias vezes buscava orientação superior, com o objectivo de mudar a situação que estava a passar, pois eu achava que o problema não estava dentro de mim, e eu não queria mudar nem aceitar que era sinal dos meus antepassados. O meu Sonen estava ligado somente na mudança dos meus filhos, mas a situação piorava cada vez mais.

Fiz novamente a profunda reflexão sobre a minha postura em relação ao sentimento de gratidão, e fui orientada a descobrir no meu interior as falhas cometidas no meu passado e da linhagem familiar. Lembrei que eu, durante a mocidade, também provoquei vários abortos!

Assim, percebi o quanto estava sendo ingrata com o Supremo Deus, o Messias Meishu-Sama e os meus antepassados, pois compreendi que as dificuldades que meus filhos estavam a passar eram fruto do que eu fiz no passado! No Altar, junto com o missionário, encaminhamos ponto por ponto todas as dificuldades, pedindo perdão a Deus e ao Messias Meishu-Sama pelos erros cometidos, e assumi o compromisso de servir na Obra Divina como verdadeiro instrumento de Meishu-Sama, colocando a gratidão à frente de todas as circunstâncias.

Decorridos alguns dias, fui percebendo que precisava agradecer pela vida e por tudo que o Supremo Deus me concedia, materializando diariamente a minha gratidão.

Enquadrei-me na Rede da Salvação, fazendo parte do grupo Lua como assistente e passei a dedicar sem me preocupar com os meus problemas, reconhecendo que eram a manifestação do amor do Supremo Deus para nos tornar seus verdadeiros filhos. Surpreendentemente, a situação foi melhorando cada vez mais e meus filhos voltaram ao convívio familiar, o que me deixou muito satisfeita.

Num dos cultos, o palestrante falou sobre a importância de entronizarmos o Altar em nosso Lar, como forma de ingressarmos na Fé e transformar o nosso lar num Paraíso. Despertou em mim o desejo de entronizar o Altar no meu Lar e vendi uma parcela de terreno do quintal onde vivo, e com todo valor materializei o donativo. Ganhei a permissão de entronizar o Altar na minha casa no dia 7 de Dezembro de 2013.

Nessa fase, purifiquei bastante com conflitos familiares, minha irmã revoltou-se comigo sem motivos aparentes, os vizinhos por onde o meu filho roubava vinham em nossa casa e levavam os eletrodomésticos, como também outros bens materiais. Mas com essas purificações não lamentei, pois reconheci que era a Luz do Supremo Deus que estava clareando o ambiente espiritual da casa, reconhecendo ainda que era sinal dos meus antepassados, e que precisava purificar as raízes mais profundas da minha linhagem familiar.

Graças ao acompanhamento dos meus Superiores, consegui me fortalecer na gratidão, mantendo-me cada vez mais activa nas dedicações e no cumprimento das orientações. Passei a marchar na Rede de Salvação, distribuindo flores, limpando casas e encaminhando pessoas, além de peregrinar aos locais de maior Luz, nomeadamente a Sede Central de África e o Polo Agrícola do Ngolo. Diariamente orava no Altar do Lar agradecendo pela vida, reconhecendo que Deus está no comando de tudo.

Para o meu espanto, depois de 10 meses, com o cumprimento das orientações, meu ex-marido, que durante 16 anos me abandonou com os filhos e não me apoiava, veio até minha casa. Mesmo sabendo dos roubos e falhas que seu filho cometia, assumiu a responsabilidade de cuidar da sua formação e do seu futuro. Hoje, o jovem parou de fazer assaltos e está enquadrado numa profissão junto ao seu pai. Minha filha, que nunca teve a sorte de estar situada em um lar, corrigiu sua postura e se encontra na casa do seu esposo, que prometeu casar-se com ela. Os conflitos na família, como também na vizinhança, foram ultrapassados.

Minha irmã, que tem quatro filhos, cada qual com um pai diferente, e durante muitos anos não conseguia formar um lar, neste ano teve a permissão de casar e ter sua própria casa!

Eu ganhei mais força nas dedicações e a permissão de receber apoio dos meus familiares, o que não acontecia há mais de 16 anos.

Com essa Experiência de Fé, aprendi que a causa de todos os nossos sofrimentos reside em nós. Aprendi ainda que a gratidão transforma o nosso sofrimento em purificação!

Por permissão do Supremo Deus e do Messias Meishu-Sama, encaminhei 20 pessoas, das quais 11 são membros. Cuido de três casas com 19 pessoas, pratico o dízimo e o donativo de Construção e tenho a horta caseira.

Agradeço ao Supremo Deus, ao Messias Meishu-Sama e aos meus Antepassados pela permissão de conhecer este maravilhoso caminho da salvação. Aos Ministros, responsáveis, membros e frequentadores, pelo empenho em prol da Obra Divina, os meus sinceros agradecimentos.

Uíge, aos 9 de Março de 2015.