Saudação do Rev. Masayoshi Kobayashi

1º de julho de 2015 – Templo Messiânico do Solo Sagrado de Atami

Congratulações a todos pelo culto mensal de julho!

Hoje, a manhã esteve momentaneamente coberta por uma névoa densa, que fez pairar uma atmosfera serena e mágica. Ontem foi um dia muito difícil, não foi mesmo? Os trens-bala tiveram a circulação interrompida e, devido ao aumento do risco de erupção do vulcão no vale Owaku, em Hakone, o nível de alerta foi elevado a três e proibiu-se a entrada.

Apesar de o Solo Sagrado de Hakone – Terra Divina – estar localizado a uma distância de 2 a 4 quilômetros do vale Owaku e não se encontrar em risco iminente, o acesso ao estacionamento que é utilizado nos cultos mensais da Igreja Luz do Oriente, localizado no ponto mais alto do Solo, foi interditado. Segundo o noticiário desta manhã, o bondinho que parte da cidade de Gora também teve o serviço paralisado. Soube que, devido a essa situação, tomou-se, às pressas, a decisão de realizar o culto somente com a participação de alguns dirigentes e diretores, sendo pedido aos fiéis que não comparecessem.

Peço a Deus e a Meishu-Sama que a atividade do vulcão de Hakone cesse o mais rápido possível e que os fiéis da Igreja Luz do Oriente possam voltar, com segurança, a peregrinar ao Solo Sagrado.

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Há pouco, na oração do culto mensal realizado com todos os senhores, agradeci as inúmeras bênçãos e proteções que recebemos no dia a dia. E, ainda, comprometi-me a continuar desenvolvendo as dedicações na Obra Divina, objetivando tornar-me uma “pessoa simpática” e “pioneiro da salvação”.

A senhora Setsuko Kaneda, do Johrei Center Mishima, ligado à Sede Geral, relatou-nos sua maravilhosa experiência: “O encontro com o Johrei livrou-me da depressão”. Sabe-se que, na sociedade atual, atribulada e estressante, há muitas pessoas sofrendo com essa doença. Se a experiência da senhora Kaneda levar esperança ao coração dessas pessoas, será maravilhoso!

O novo sistema

A partir do Culto do Paraíso Terrestre, no mês passado, teve início o novo sistema de Áreas e Igrejas. O objetivo é retornar ao “ponto inicial da difusão”, desejo de Meishu-Sama. A proposta consiste muito mais em voltar ao ponto inicial da difusão do que mudar a estrutura organizacional.

No início da Obra Divina, Meishu-Sama, como um missionário, visitava casa por casa, ouvia os problemas dos fiéis e ministrava-lhes Johrei. Não importava se eles morassem longe ou se já fosse a horas adiantadas de uma noite fria de inverno. Seguindo essa postura e a começar pelo responsável de Igreja, os integrantes e ministros devem empenhar-se em “encontrar – ouvir – ministrar Johrei”, procurando aproximar-se dos membros, ouvindo com carinho a ideia de cada um e buscando o entrosamento. Meu desejo é criar pontos de difusão abertos à comunidade que consigam dar uma assistência cuidadosa e onde transbordem alegria, gratidão e esperança.

Para tanto, é preciso que, desde o responsável de Igreja até o ministro que está na linha de frente da difusão, todos estudem, exaustivamente, os ensinamentos de Meishu-Sama, honrem sua palavra, tomem a iniciativa de dar o exemplo e mostrem, com suas atitudes, a postura adequada a um homem de fé.

Como pudemos ouvir na experiência da senhora Kaneda, relatada há pouco, ela foi convidada à residência do ministro e, apesar de estarem se encontrando pela primeira vez, ele a recebeu com um sorriso, ouviu seus problemas atenciosamente e ministrou-lhe Johrei. Sem dúvida alguma, não fosse esse ministro, que lhe prestou assistência de todo o coração, ela não se ligaria a Deus nem receberia a salvação. Senhores responsáveis de Igreja e ministros, será que puderamconvencer-se, mais uma vez, da importância de compreender o sentimento de cada fiel e dar-lheuma assistência calorosa, conforme fez este ministro?

Neste processo de mudança para o novo sistema, em nada mudará o objetivo de cada Igreja, mas a realidade de cada uma é diferente. Dessa forma, de agora em diante, não será possível padronizar a maneira como agiremos. Peço que cada Igreja se reúna para dialogar com os responsáveis de região e de área e, com base na própria realidade, defina as tarefas de cada um, para continuar avançando com segurança.

O verdadeiro objetivo das atividades de expansão não se resume a bater as metas numéricas. Do início ao fim, o propósito deve ser criar fiéis que saboreiam a alegria que advém da elevação da própria fé, construam um lar de felicidade, bênçãos e plenitude, e que sintam necessidade de expandir essa felicidade ao seu redor. Em outras palavras, é edificar um sistema de Igreja, unidos por um único sentimento.

Ensinamento “Treino de humildade”

No culto, ouvimos o ensinamento “Treino de humildade”. Neste ensinamento, Meishu-Samaenfatiza a importância do treino de humildade, a qual, entre os religiosos, constitui uma prática tradicional. Além disso, advertiu rigorosamente a respeito de quatro pontos: o orgulho, a mania de grandeza, o pedantismo e a vaidade, pois o “gostar de se exibir” é um dos pontos fracos do ser humano.

Dentre essas admoestações, eu gostaria de chamar a atenção para um ponto: Meishu-Samadiz que o pedantismo, o querer ser o sabe-tudo, não é bom; porém, ele incentiva bastante “o saber das coisas”. Considerando que o desejo de aprender mais é uma “virtude inata do ser humano”, Meishu- Sama, mesmo estando ocupado, ouvia notícias no rádio, lia avidamente mais de dez tipos de jornais, revistas sobre arte, arquitetura e outras áreas. Nós também devemos seguir seu exemplo e estudar, de forma ampla e profunda, os ensinamentos e outras literaturas.

Teoria da Hierarquia das Necessidades de Maslow

Observem a imagem (1) na tela. Esta é a pirâmide da “Hierarquia das Necessidades de Maslow”. O psicólogo americano Abraham Maslow, baseado na hipótese de que “o ser humano é um ser vivo que cresce, buscando, continuamente, a autorrealização”, dividiu as necessidades humanas básicas em cinco níveis e as ordenou em forma de pirâmide.

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Pirâmide da hierarquia das necessidades de Maslow

Explicando resumidamente:

◊ Na base da pirâmide, estão as necessidades fisiológicas: São aquelas que servem para manter a vida, como a necessidade de alimentar-se, saciar a sede e dormir. Quando estas necessidades não são satisfeitas, a pessoa adoece ou pode morrer.

◊ Em segundo, vêm as necessidades de segurança: São aquelas ligadas à segurança pessoal, tranquilidade, estabilidade econômica, ordem pública e outros. Durante a guerra e logo no após- guerra, houve uma predominância muito significativa das necessidades fisiológicas e de segurança, pois todo o esforço era voltado para se alimentar e sobreviver. Creio que tanto a aceitação incondicional do lema “Construção de um mundo de paz” como as filas que se formaram à procura do Johrei, estão intimamente ligadas a esse contexto histórico.

◊ Em terceiro, as necessidades sociais: É a necessidade social ou afetiva, o desejo de ser amado ou de pertencer a um grupo. Contudo, como esta se limita ao indivíduo, à família, ao ambiente de trabalho ou outros da mesma natureza, não podemos negar sua tendência restrita.

◊ Em quarto, temos necessidades de estima: É a vontade de ser reconhecido.

◊ No topo, as necessidades de autorrealização: Desejo de mostrar, ao máximo, habilidades e potencial próprios, desenvolvendo atividades criativas.

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Observem a imagem (2) na tela. Dizem que o próprio Maslow colocou em cima deste a “necessidade de autossuperação”. Esta seria a “necessidade de praticar o amor ao próximo e desejar o progresso da comunidade”. Em termos messiânicos, seria o “amor altruísta e a transformação do nosso entorno em paraíso”.

piramide2

Para que o ser humano possa atingir o nível de “autossuperação”, ele precisa vencer os cinco primeiros níveis, principalmente o quarto nível, que é a “necessidade de reconhecimento”. Este nível representa o desejo de ser respeitado pelas pessoas, sendo reconhecido como alguém de valor. Aquele que gosta de se “exibir” possui o quarto nível mais forte do que uma pessoa comum. A questão é que, por trás desse desejo, está oculto um forte sentimento de inferioridade e insatisfação, como: “Sinto que não estão me dando o devido valor. Ainda não sou suficientemente respeitado.”

Ayako Sono (1931- ) escreveu, em um de seus livros, que a pessoa presunçosa, insolente, egoísta, que é avessa a críticas, busca ser sempre elogiada e gosta de condenar os outros “é, na verdade, um poço de insegurança”. E acrescenta: “Na minha opinião, somente Deus ou Buda podem julgar, corretamente, as consequências do meu modo de vida. Sendo assim, está totalmente equivocado aquele que vive em busca de ser valorizado ou aprovado por terceiros.”

Essa mesma visão pode ser encontrada nos seguintes salmos de Meishu-Sama:

Aqueles que estão muito interessados na aprovação dos outros,

quase sempre se esquecem de Deus;

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O homem deve viver de acordo apenas com a Vontade Divina,

sem se deixar influenciar pelo olhar ou pelas palavras dos outros.

Portanto, caso se esforce sempre para ajustar seu sentimento à Vontade de Deus, terá permissão de receber muito mais bênçãos e proteções.

Com o pensamento de “estar frente à frente com uma partícula divina”

O “gostar de se exibir” é a outra face do “considerar o outro de nível inferior ao seu”. Eu sei que esse tipo de sentimento passa longe dos senhores e que, ao se encontrarem com as pessoas no dia a dia, certamente, se relacionam com elas com o pensamento de que: “Dentro dela existe uma partícula divina. Estou agora, frente à frente com uma partícula de Deus”, não é mesmo? Aquele que pensa firmemente dessa maneira, reconhece que a outra pessoa é uma existência única e sente um forte desejo de respeitá-la.

Além disso, no cotidiano, os senhores atendem as pessoas pensando: “Estou agora ouvindo a voz de uma partícula de Deus. O que Ele quer que eu perceba e aprenda? Como devo corresponder aos Seus anseios?”

Até mesmo na ministração do Johrei, creio que o estão fazendo com o pensamento de que “esta pessoa possui a partícula de Deus”. Assim como está escrito no salmo:

O ser humano possui a partícula divina.

Purificando-o, reconduzamo-lo ao seu estado original.

Gostaria que ministrassem Johrei desejando que a partícula divina, que existe no interior da pessoa, recupere o brilho original e que ela tenha a permissão de se elevar, cada vez mais, como uma servidora da Obra Divina.

Temos, constantemente, o desejo de intensificar a força do Johrei, não é mesmo? Em relação à intensidade da força espiritual do Johrei, Meishu-Sama nos ensina:

◊ Essa força espiritual aumenta à medida que tiramos nossa força.

◊ A força espiritual aumenta de acordo com o grau de profundidade da fé de cada pessoa.

◊ Devo alertar que a presunção diminui, consideravelmente, a força espiritual.

◊ Porém, não é bom ministrar Johrei com receio. De qualquer modo, o importante é ter a humildade de servir como instrumento de Deus¹.

◊ Tratando-se da salvação, um ser humano não consegue salvar o outro. A salvação é feita por Deus, e o indivíduo é simplesmente o instrumento d’Ele. Entretanto, é gratificante ser utilizado como Seu instrumento².

Exemplificarei com o ingresso na fé. Se considerarmos a outorga como uma “ponte”, poderemos dizer que nossa função é conduzir a pessoa até o “começo da ponte”. A partir daí, a permissão de “atravessar a ponte” é dada pelo Supremo Deus e por Meishu-Sama. Ou seja, tanto o encaminhamento como a salvação são, realizados, unicamente, por Eles.

Nosso objetivo deve ser tornar-nos “instrumentos fáceis de serem utilizados por Deus”. Doravante, por meio do Johrei – ato divino – do Supremo Deus, vamos retornar juntos ao paraíso como pessoas que foram perdoadas, purificadas e salvas. Com esse sentimento, a começar pela prática da ministração do Johrei, empenhemo-nos nos diversos segmentos da Obra Divina. Com gratidão e determinação, desejo cumprir a missão de tornar-me um pioneiro da salvação.

Encerramento

Logo estaremos em pleno verão. Vou orar para que todos possam trabalhar com mais saúde diariamente e que um número maior de pessoas tenha a permissão de se ligar ao amor de Deus. Assim, encerro minhas palavras.

Muito obrigado!


¹ Obras Completas de Mokichi Okada – Palestras, vol. 9, p. 152.

² Obras Completas de Mokichi Okada – Palestras, vol. 1, p. 508.