Mensagem de ano novo

Reverendo Masayoshi Kobayashi

Feliz ano-novo a todos!

Quero manifestar minha imensa gratidão pela permissão de iniciarmos mais um ano, abençoados pela Luz do Supremo Deus e Meishu-Sama e pelas orações de Kyoshu-Sama, nosso Líder Espiritual.

Tendo como objetivo: “Desejar nascer de novo como filho de Deus e ser uma pessoa que salva outras pessoas”, gostaria que todos nós retornássemos ao espírito inicial, vivenciando a fé no cotidiano, aprendendo com os ensinamentos de Meishu-Sama e com as orientações de Kyoshu-Sama. “Vamos ampliar a quantidade de lares felizes, abençoados e plenos, por meio do Johrei e da gratidão”, é o nosso lema.

Rememorando a história da nossa Igreja, há 80 anos, em 1936, um ano após fundá-la com o nome de “Dai Nippon Kannon Kai”, Meishu-Sama viu-se obrigado a dissolvê-la devido à perseguição das autoridades e à proibição de realizar tratamentos terapêuticos, enfrentando uma situação muito difícil. Contudo, seu desejo de salvar o mundo e a humanidade não diminuiu de forma alguma. Voltado para o futuro e com o intuito de edificar os alicerces da Igreja em seus primórdios, Meishu-Sama seguiu adiante, desenvolvendo discretamente a Obra Divina, de maneira bem particular.

Se compararmos aquele tempo com o atual, nós, que vivemos hoje, temos garantido o direito de professar e difundir livremente a nossa fé. Como somos afortunados por termos nascido nesta época! Eu gostaria que a gratidão por esse fato renovasse nossas energias para servir e dedicar no dia a dia.

Ser uma pessoa que participa e contribui para a criação e construção de um mundo melhor

Nessa época do ano, todos gostamos de ouvir histórias alegres, próprias de um novo ano. Entretanto, se olharmos o mundo à nossa volta, constataremos que uma grande instabilidade começa a se instaurar tanto no âmbito das relações internacionais como também dos sistemas sociais.

No Japão, por exemplo, a taxa de juros vem sendo mantida, há anos, num nível próximo a 0% e, na União Europeia, surgem países com índices de juros negativos, que desvalorizam as poupanças. O economista japonês Kazuo Mizuno, professor titular da Universidade Nihon, declara que este fato é uma evidência de que o capitalismo – o sistema que, por mais de 400 anos veio sustentando a “modernidade” –, está aproximando-se de seu fim.

Meishu-Sama previu que surgiria uma sociedade que não se baseia nem no capitalismo nem no socialismo. Hoje, no mundo, vemos nascer pessoas que vislumbram o futuro “pós-capitalismo” com toda seriedade. Nesse contexto, se, por um lado, podemos ver a esperança, por outro, infelizmente, ainda vemos muitas tragédias, frutos das guerras e do terrorismo.

Na mitologia japonesa, narrada no livro Kojiki, existe uma passagem interessante. Quando o deus Izanagi fugiu do Reino dos Mortos, perseguido pela deusa Izanami, ele bloqueou o caminho dela, deixando-a presa naquele mundo. Enfurecida, ela gritou: “Matarei mil pessoas do seu mundo por dia!” Ao que ele retrucou: “Se for assim, criarei condições para que mil e quinhentas nasçam todos os dias!” Trazendo isso para nossa realidade, podemos dizer que, se existem atividades que promovem destruição e massacres, precisamos ser aqueles que contribuem e participam de obras de construção que promovem a vida. Este é o meu desejo.

A prática do Johrei que vivifica a si e ao próximo

Nas Reminiscências sobre Meishu-Sama¹, há um episódio no qual o narrador conta que, certa vez, num encontro com Meishu-Sama, um dos participantes perguntou qual era a diferença entre as célebres espadas de Masamune – conhecidas como “espadas que protegem a vida” –, e as famosas “espadas que matam”, de Muramasa.

Meishu-Sama respondeu: “Todas as obras consideradas notáveis estão impregnadas do espírito do autor. As espadas do artesão Muramasa eram mais letais porque foram feitas com o pensamento: ‘Vou fundir uma espada para golpear as pessoas’; já as de Masamune, que amava a paz, foram fabricadas com o pensamento: ‘Desejo fazer uma espada para proteger as pessoas.’ Como são pessoas notáveis, a força espiritual delas é bem maior do que a das pessoas comuns.”

Para finalizar, Meishu-Sama acrescentou: “O mesmo acontece com a palavra ‘hikari’, que caligrafo. Quando a escrevo, a vontade de Deus de salvar a humanidade dos sofrimentos com Sua luz fica impregnada nesta palavra através de mim.”

Mesmo bastante atarefado, Meishu-Sama sempre tirava um tempo para ministrar Johrei aos dedicantes. Certo dia, porém, ele chamou a todos e, fazendo uma alusão à espada de Masamune, disse: “Eu já entreguei a cada um de vocês ‘a espada de Masamune’. Fazer com que ela reluza ou fique sem brilho, depende exclusivamente de cada um.”²

Sem nos esquecermos, por um segundo sequer, que, por intermédio de Meishu-Sama, o “Ohikari”³ que cada um de nós recebeu está impregnado da venerável vontade de Deus de salvar a humanidade, e agradecendo pela permissão de servir à Obra Divina através da ação do Johrei – o poderoso instrumento espiritual que vivifica as pessoas –, vamos servir de corpo e alma à sua prática diária.

Outra coisa que eu gostaria de reconfirmar junto aos senhores é que a Agricultura e a Alimentação Natural bem como as atividades artísticas também são meios que Meishu-Sama nos ensinou para purificar nosso espírito e nosso corpo. Portanto, creio que, num sentido amplo, elas também devam ser vistas como uma forma de Johrei. Além disso, a prática intensiva do Johrei no lar e o sentimento de gratidão por poder participar dessa obra de salvação são a chave para alcançarmos a permissão de estabelecer um lar feliz, abençoado e pleno. São também a base para nos elevarmos à condição de “pessoas que salvam outras pessoas” e, ainda, o caminho seguro para correspondermos à vontade de Meishu-Sama.

Orando de coração pela felicidade de todos os senhores e pelo sucesso de suas atividades, encerro minha saudação desejando-lhes um Feliz Ano-Novo.


¹“O pensamento determina o bom ou mau uso das coisas”, Reminiscências sobre Meishu-Sama, volume 4.
² “Fazer uma espada reluzir ou deixá-la sem brilho, depende de cada um”, Reminiscências sobre Meishu-Sama, volume 2.
³ Medalha da Luz Divina.