Templo Messiânico, Solo Sagrado de Atami

 e 2 de outubro de 2015

Com profundo respeito e temor a Deus, gostaria de dizer que, antes de nascermos na Terra, Deus fez com que nascêssemos no Mundo do Início, no paraíso, nos concedeu Seu próprio espírito e nos criou como Suas partículas divinas, ou Seus espíritos divinos, como gostaria de chamá-las. É por isso que podemos chamar o Criador de todas as coisas, e Deus único, de “nosso Pai”.

Deus, o Pai, é Aquele que nos concebeu. Senão, por que Ele permitiria que O chamássemos de “nosso Pai”? Através de Meishu-Sama, nós fomos conduzidos ao caminho da fé. E o objetivo da fé é que nós saibamos que Deus é o Pai de nossas almas e que Ele existe dentro de nós.

Em 1930, aos 47 anos de idade, antes de fundar sua religião, Meishu-Sama registrou suas memórias em um artigo intitulado “O Caminho da Fé que Trilhei”, e refletiu sobre sua vida de até então. Eu o li outro dia e ele me emocionou profundamente.

De acordo com suas memórias, Meishu-Sama, como todos os senhores sabem, cresceu em uma família muito pobre e, desde muito jovem, era fraco e facilmente contraía doenças. Seu sonho era tornar-se pintor e ele ingressou na escola de artes aos 14 anos de idade. Mas, como sua doença ocular se agravou, ele teve que abandonar seu sonho e saiu da escola. Meishu-Sama continuou sendo acometido por muitas doenças ao longo de sua juventude. Lembrando esse período de sua vida, Meishu-Sama escreveu em suas memórias: “Eu perdi completamente a esperança. Eu não queria mais continuar vivendo”.

Mais tarde, Meishu-Sama abriu um negócio de venda de acessórios femininos. Apesar de desfrutar de um sucesso temporário, ele logo se viu em meio a enormes dívidas, e lutou muito para manter sua empresa. E, pior, ele perdeu sua esposa nessa mesma época¹. Ele estava muito triste, desesperado e em agonia.

Foi nesse momento de sua vida que algo começou a mudar para Meishu-Sama. Algo aconteceu em seu interior. Deixem-me ler para os senhores, diretamente de suas memórias, como o próprio Meishu-Sama descreveu esse momento de grande mudança.

De repente, minha alma ansiava por uma fé. Fé! Fé! Senti que encontrar a fé era a única forma de eu ser salvo dos sofrimentos do meu coração, do meu corpo e de minha vida. A dura realidade da vida havia me cercado, e cercado meu coração, tão profundamente, como uma espessa parede de gelo. A única coisa que eu queria era olhar para a luz confortadora da fé em algum lugar lá em cima no céu. Esse ato, por si só trouxe a salvação à minha alma, que chorava de aflição e dor num momento tão sofrido de minha vida.

Meishu-Sama escreveu que queria somente olhar para a luz confortadora da fé e que isso, por si só, trouxe salvação à sua alma. Essa parte tocou meu coração profundamente quando eu a li. Acredito que foi nesse momento de desespero em sua vida que Meishu-Sama descobriu, com imensa alegria e certeza absoluta, que Deus e Sua salvação existiam dentro de si.

“Fé” não é uma palavra de fácil entendimento, apesar de parecer que sim. Nós mesmos jamais devemos achar que sabemos o que significa exatamente “fé”. Acredito que Meishu-Sama nos ensinou, e ainda continua nos ensinando, a essência do significado da palavra “fé”. Nós devemos estar sempre perguntando a nós mesmos o que será essa essência para que continuemos aprofundando e tornando mais ampla nossa fé em Deus e Meishu-Sama.

Apesar das dificuldades em sua vida continuarem, a convicção que Meishu-Sama tinha nunca se abalou depois d’ele ter encontrado Deus. Em suas memórias, Meishu-Sama escreveu, “na parte mais profunda do meu coração, eu tinha uma convicção inabalável de uma fé que ardia como fogueira… e nada era capaz de afetar minha forte convicção de que Deus me protegia todo o tempo”.

Em 1935, cinco anos após ter escrito suas memórias, Meishu-Sama fundou uma religião, que hoje chamamos de Igreja Messiânica Mundial. Estou convencido de que Meishu-Sama fundou uma religião para compartilhar, com o maior número possível de pessoas, sua grande alegria de encontrar Deus e sua ardente paixão pela fé.

Após fundar a religião, Meishu-Sama sofreu um número incontável de provações e atribulações. Ele teve que tolerar, inúmeras vezes, o controle policial e a repressão à sua religião. A certa altura, Meishu-Sama foi preso injustamente. Mas ele nunca perdeu seu espírito otimista, pois sua forte convicção e paixão estavam firmemente arraigadas dentro dele.

Nós, como seguidores de Meishu-Sama, hoje lemos seus ensinamentos, os praticamos de várias formas e nos reunimos nos seus Solos Sagrados pelo mundo. Ainda assim, jamais devemos esquecer que sua inabalável convicção de fé e fervor penetram e permeiam tudo aquilo que Meishu-Sama nos deixou.

Mesmo quando Meishu-Sama sofreu um colapso decorrente de um derrame cerebral, em 1954, um ano antes de falecer, sua forte convicção de fé e fervor não enfraqueceram nem um pouco. Ao contrário, enquanto sofria de uma intensa dor causada pelo derrame, Meishu-Sama anunciou com grande alegria: “De minha parte, estou ficando muito mais jovem… Um Messias nasceu”.

Como Meishu-Sama nos ensina, Deus nos fez nascer como Seus espíritos divinos. Deus considerava esses espíritos divinos como Seus filhos. E então, Deus deu um único nome a todos os Seus filhos – Messias. O nome sagrado de Messias foi confiado a cada um de nós.

Quando ainda era relativamente jovem, Meishu-Sama encontrou Deus em meio ao completo desespero. Um ano antes de falecer, ele chegou à conclusão de que o Deus que havia encontrado era o Pai de sua alma, de que Deus era o seu Pai. Com total confiança em Deus, o Pai, acredito que Meishu-Sama mergulhou, brava e corajosamente, no paraíso que existe dentro de si próprio. Acredito que Deus, sendo o Pai de Meishu-Sama e de toda a humanidade, tenha acolhido em seu paraíso um de seus amados filhos, isto é, Meishu-Sama, com grande alegria.

Deus, o Pai, então decidiu conferir a Meishu-Sama, novamente, um espírito divino com o nome Messias. Deus concedeu vida eterna a Meishu-Sama. Meishu-Sama, tanto em tempos de medo quanto de alegria, recebeu novamente seu espírito divino e seu nome sagrado. É por isso que Meishu-Sama declarou, em 1954, ter nascido novamente e que um Messias havia nascido.

Eu fico sem palavras toda vez que tento imaginar a alegria que Meishu-Sama deve ter sentido nessa ocasião. Meishu-Sama sentiu uma enorme alegria quando encontrou Deus pela primeira vez, quando ainda era relativamente jovem. Em 1954, ele ficou radiante de alegria novamente, quando Deus deu-lhe um novo espírito divino, chamado Messias. Eu acredito que essas duas alegrias de Meishu-Sama são, de fato, uma só. Elas estão ligadas.

Nós também devemos ter sentido alegria quando encontramos Meishu-Sama pela primeira vez e fomos guiados a uma vida de fé. Essa nossa alegria está unida à alegria de Meishu-Sama. A alegria de Meishu-Sama está dentro de nós. Eu gostaria de acreditar nisso. Eu gostaria de acreditar que tudo que Meishu-Sama sentiu está dentro de mim e dentro de todos nós.

Independentemente de quão difícil e dura nossa vida possa ser, vamos acreditar que a alegria transbordante de Meishu-Sama existe dentro de cada um de nós. Vamos acreditar que, exatamente como Meishu-Sama, nós temos a missão de receber um novo espírito divino, chamado Messias, que nos conduz à vida eterna e nos permite servir ao nosso Pai com grande alegria e esperança, devolvendo todas as coisas a Deus como Sua glória.


¹ Mais tarde, Meishu-Sama casou-se novamente, com Yoshi Ōta, que posteriormente se tornaria Nidai-Sama, sua sucessora e nossa segunda Líder Espiritual.