Chamo-me Mara Letice Marrengane Munguambemarafaço parte da família messiânica desde 05 de Março de 2005, tornei-me membro a 23 de Dezembro do mesmo ano. Actualmete, dedico na liturgia como coordenadora da área da Matola, responsável de um grupo do saitem da Sede Central de Maputo e vice responsável do Sorei-Saishi em Moçambique.

A doença, os conflitos conjugais, a falta de paz espiritual aliada a depressão foram o veículo usado pelo Mundo Espiritual para o meu encaminhamento, na pessoa da minha colega de trabalho e amiga Sandra Maria Barbosa, na altura frequentadora da Igreja.

Durante este período que professo a religião messiânica, já vivenciei e partilhei com os irmãos inúmeras experiências de fé relacionadas com: o Johrei,  Flor de Luz, Agricultura Natural, peregrinação ao Solo Sagrado, gratidão, assistência religiosa e cumprimento das práticas da fé. Hoje, mais uma vez, quero, por esta via, partilhar algumas experiências que estão relacionadas com a gratidão e com o alinhamento do Sonen.

No pretérito dia 13 de Junho de 2017, durante o exercício das minhas actividades laborais, a minha viatura sofreu um grave acidente. De realçar que a mesma encontrava-se estacionada e aparentemente longe do alcance de qualquer perigo.

Por volta das 12 horas e 30 minutos ouviu-se um forte estrondo, segundos depois os colegas que se encontravam próximo do local, solicitaram a minha presença após terem verificado que uma das viaturas sinistradas, por sinal a segunda mais grave, era minha.

Quando lá cheguei, não quis acreditar no que estava vendo. Várias perguntas me ocorreram, tais como:

  • Porquê logo a minha viatura que se encontrava longe da estrada e estacionada?
  • Porquê Meishu-Sama deixou que isso acontecesse?
  • Afinal não dedico para ganhar a proteção divina?

Naquela hora não me lembrei de agradecer e muito menos de encaminhar aquela situação. Apenas lamuriava, embora de forma serena.

Encaminhando a situação às autoridades competentes, iniciava-se uma longa caminhada entre idas e vindas à esquadra policial. Há dado momento o causador do sinistro cancelou os seus contactos, tornando-se desta forma impossível a sua localização. De realçar que a dada altura, o autor foi dado como desaparecido e as autoridades aconselhavam-me a desistir daquele processo porque o senhor havia contactado pessoas influentes no comando, no sentido de anular o assunto e ser isento de qualquer responsabilidade. Depois de várias insistências o mesmo apareceu com dados completamente adulterados, isto é o meu nome errado, a matrícula da viatura errada e com informações em falta.

Foi em meio a esta turbulência e desespero que lembrei-me de comunicar aos meus superiores da fé o sucedido, que me levaram  a entender que aquilo era uma purificação, que devia encaminhá-la ao Supremo Deus e ao Messias Meishu-Sama e manter a minha gratidão profunda e constante. Confesso que não foi nada fácil, pois na minha pequena percepção a razão estava toda do meu lado.

Volvidos alguns dias, recebi um telefonema do Chefe das Operações da Polícia da mesma esquadra, solicitando a minha presença. Espantosamente quando lá cheguei o processo havia sido corrigido e em simultâneo recebi o contacto do autor e da sua seguradora da para tratarem da reparação da minha viatura, o mesmo colocou-se a disposição para colaborar em caso de qualquer necessidade. Naquele instante parecia estar a acordar de um sonho profundo.

Dia seguinte, iniciava uma nova etapa das idas à seguradora, onde foi feito o levantamento dos danos causados para a consequente reparação. Devo realçar que depois de ter submetido a viatura a oficina para a reparação dos danos, mostrei-me céptica e duvidosa. Mas como já havia aprendido a lição, lembrei-me da orientação e de imediato agradeci e encaminhei aquele sentimento.

Como tudo o que Deus faz é bom, fui maravilhosamente surpreendida no dia do levantamento da mesma, onde o dono da oficina dizia:

– “Dona Mara, embora a seguradora não tenha submetido ainda a folha de trabalho da sua viatura, depois de proceder a reparação, unilateralmente, achei melhor pintar todo o seu carro para dar um aspecto mais agradável. Não sei se vai gostar.”

Fiquei muito maravilhada e ao mesmo tempo envergonhada de tanta lamúria que tive a quando da ocorrência do sinistro. Entendi o verdadeiro sentido e o valor da gratidão e do encaminhamento de tudo que nos ocorre.

A segunda experiencia está relacionada com o alinhamento do Sonen. Na passada quarta-feira, dia da prece de elevação aos nossos ancestrais e antepassados (27/12/2017), cheguei à igreja e fiquei feliz ao constatar que o responsável do Johrei Center já lá estava, pois tinha alguns aspectos relacionados com a liturgia para abordar com ele.

Assim, tivemos uma conversa longa entre o responsável, o vice responsável e eu, relacionada com a reabilitação da liturgia do Johrei Center. Terminada a conversa, participei da marcha de Johrei como preparação do culto.

Enquanto decorria a marcha, fui pensando: “Ao invés de fazer o dízimo este mês, vou usar o mesmo valor para a reabilitação da liturgia.  Esse valor não é para meu uso pessoal, mas sim para as benfeitorias da igreja, por isso não há nenhum problema. Tudo é para Deus.

Não se passaram dez minutos, comecei a sentir um mal-estar muito forte entre calafrios e um peso enorme que ia desde o pescoço até a coluna. Esta situação persistiu durante o decorrer do culto todo. No final do mesmo procurei o responsável para comunicar a minha decisão egoísta. Ele ouviu-me e de seguida riu-se na minha cara e prontamente orientou-me dizendo:

– “Olha, os teus antepassados são muito exigentes e não deves agir dessa forma. Vamos já ao altar, orar a Deus e ao Messias Meishu-Sama e pedir perdão aos seus ancestrais e antepassados pela sua postura incorreta.

Após a oração, senti um alívio e o mal-estar desapareceu, entendi que afinal eles vivem mesmo dentro de nós e pude perceber o erro que iria cometer. No dia seguinte, materializei o meu dizimo com a Ministra.

Os aprendizados que tirei destas experiências foram os seguintes:

  • Na pequenina percepção do homem, não se projecta o plano divinal. Logo, não devemos negligenciar as orientações que recebemos de nossos superiores: “Agradecer em qualquer circunstância, mesmo que não entendemos.”;
  • Que realmente devemos alinhar o nosso sonen cuidando dos nossos antepassados, materializando o nosso dízimo, e que uma actividade não pode atropelar a outra, isto é, não devemos realizar uma vontade em detrimento de uma orientação;
  • Que realmente os nossos antepassados vivem dentro de nós e consequentemente o nosso pensamento e atitudes influenciam o seu mundo, de facto o espirito precede a matéria.

O que mudou em mim é consciência e a maturidade que vou ganhando ao longo da minha caminhada. Tento buscar, constantemente a orientação dos meus superiores e não só em toda a dedicação que recebo e pratico. Que devo praticá-la com entrega, com sonen alinhado e desapegar dos problemas entregando tudo nas mãos do Supremo Deus sem me preocupar com os resultados. Embora seja ainda difícil.

Quero reiterar o meu compromisso em continuar a trilhar este caminho maravilhoso, dedicando e procurando sempre buscar orientação para cumprir a minha missão, me empenhando na construção de um mundo melhor, levando a corda da salvação, amando, cuidando e orientando todos aqueles com quem tenho compromisso e afinidade, mesmo reconhecendo que tenho mais defeitos que virtudes.

Aos ministros, missionários, membros e frequentadores da nossa igreja, a todos que me suportam e em especial a Sandra Maria Barbosa, vai o meu profundo reconhecimento por todos ensinamentos, orientações e cuidados que têm dispensado à minha pessoa. Não encontro palavras que expressem a minha mais sincera e profunda gratidão.