UNIDADE DEUS-HOMEM

         Desde os tempos antigos, há a expressão “unidade Deus-Homem”. Todavia, eu creio que até hoje não houve nenhum ser humano nessa condição. De facto, os três grandes homens santos – Buda Sakyamuni, Jesus Cristo e Maomé –, eram vistos como em unidade com Deus. Na verdade, eles eram portadores da Vontade Divina. Em termos mais claros, eram representantes de Deus. No fundo, as pessoas não sabiam distinguir a actuação da unidade Deus-Homem da actuação dos representantes de Deus.

Os representantes de Deus agem através de possessãodivina ou seguindo as determinações Divinas. Por esse motivo, sempre rezam a Deus ou a Buda e pedem Sua protecção. Eu, porém, não faço nada disso. Como os fiéis sabem, nem fico orando a Deus nem Lhe peço orientação. Basta-me agir de acordo com minha vontade, o que torna tudo muito fácil. Visto que poderão estranhar o que estou dizendo, por ser algo inédito, explanarei apenas os pontos mais importantes.

Como sempre digo, há uma bola de luz em meu ventre: trata-se da alma do Supremo Deus. Por conseguinte, Ele próprio maneja livremente meus actos, minhas palavras, tudo. Ou seja: em mim não há distinção entre Deus e o ser humano. Esta é a verdadeira união do ser humano com Deus. Como o Deus que habita o meu ser é o mais elevado, não existindo nenhum deus superior a este, não faz sentido reverenciar outras divindades. A melhor prova são os milagres manifestados diariamente pelos fiéis. Ora, se esses constantes milagres são superiores aos de Jesus Cristo, então os meus discípulos não são inferiores a ele. Através desse único facto, é possível imaginar o statusda minha divindade.

Acrescente-se que todos os homens santos existentes até agora previram a concretização de um mundo paradisíaco, mas não disseram que eles próprios seriam os construtores desse mundo. Isto porque seu statusdivino não era tão elevado nem sua força, suficiente. Pelo que já foi exposto, eu afirmo que construirei o Paraíso Terrestre, um mundo sem doença, pobreza e conflito. Daqui para a frente, realizarei inúmeras obras surpreendentes, nunca vistas até agora, e gostaria que as observassem com muita atenção, pois serão inconcebíveis pela força humana.

7 de Maio de 1952