Chamo-me Maria de Lurdes dos Santos Viana, Untitledsou membro há 12 anos, resido em Ponta Mina – São Tomé.

Conheci a IMMSTP em Novembro de 2005, encaminhada por Isabel Vera Cruz.

Certo dia, ao regressar do Hospital, deparei-me com a Irmã Isabel na praça, cumprimentamo-nos e a mesma me perguntou se eu estava de férias ao que respondi que não. Disse-lhe que vinha do Hospital porque sofria com pedra na vesícula, precisava ser operada mas ainda não tinha conseguido marcar a data da operação. Disse-lhe também que não podia comer certos alimentos nem ingerir bebida alcoólica, porque comprometiam a minha saúde. Foi assim que a irmã Isabel se compadecendo com o meu sofrimento me falou da Igreja Messiânica e dos milagres que aqui ocorrem. Fiquei um perplexa e falei para mim mesma: “Será que essa igreja vai me tirar desse sofrimento?

Conversando com a minha cunhada, ela me disse que alguém já lhe tinha convidado para esta igreja, e que ela iria experimentar para ver no que dava.

Num sábado depois de fazer os meus deveres de casa, junto com as minhas filhas, dirigimo-nos a igreja. Fui recebida pelo plantonista que me levou ao altar e depois começou a ministrar-me Johrei. Enquanto recebia Johrei dizia dentro de mim mesma: “Que oração é essa que a pessoa fica só de mão levantada e não diz nada?” Quando terminou o Johrei, fui entrevistada e orientada a receber 10 Johrei por dia, fazer limpeza na nave e na casa de banho, assistir aos cultos e outras práticas básicas da igreja.

Ao colocar essas orientações em prática, tudo começou a amenizar-se, pois já comia tudo e não sentia nenhuma dor. Foi daí que despertei para me tornar membro e após materializar o donativo de primeiras graças e de outorga em Fevereiro de 2006 recebi o meu sagrado ohikari.

A experiência de fé que vou relatar aos irmãos está relacionada com a peregrinação ao Solo Sagrado de Guarapiranga, em São Paulo-Brasil.

Já há muito tempo que alimentava a esperança de um dia peregrinar a fim de levar os meus antepassados para o lugar de maior luz, mais concretamente aos solos sagrados do Japão.

Quando tomei a iniciativa de começar a depositar o meu donativo no Sector de Caravanas, foi o momento em que se deu início a construção da Sede Central do Palmar com a colocação de água e energia elétrica no local e decidi focar toda minha atenção naquela construção bem como a construção do Johrei Center de Milagrosa e por conta disso, fui agraciada por três vezes com lembrança da imagem da Deusa Kannon.

Quando o Johrei Center de Milagrosa estava na sua recta final, numa dedicação de preparação para o Culto Mensal de Gratidão no Centro de Aprimoramento de Quilombo, O Ministro Ary me chamou e disse o seguinte:

– Oh Lurdes, precisas peregrinar este ano para o Brasil.

E eu respondi:

Ir para o Brasil, Ministro? Estamos a construir como é que eu vou pensar na peregrinação.

E o Ministro perguntou.

Estás a construir o quê?

E eu disse-lhe:

Nós estamos a construir o Johrei Center de Milagrosa.

E o Ministro retorquiu:

Uma coisa não tem nada a ver com outra. Uma coisa é peregrinar e outra é construção. O importante é saber separar as coisas.

E eu voltei a dizer:

Ministro, para este ano não vai dar porque o meu sonem está direcionado só para a construção.

Então o Ministro respondeu:

Pensa nisso está bem!

Disse-lhe que sim, mas era só para despachar a conversa porque realmente não estava a pensar em peregrinar e muito menos para o Brasil em 2018.

Dias depois, comecei a reflectir sobre a conversa que tive com o Ministro e pensei: “Isso só pode ser a voz dos antepassados. Tenho que escutar a voz dos antepassados. Mas como ir se não tenho dinheiro!?

Foi dai que a minha filha conseguiu uma Bolsa para dar continuidade aos seus estudos na República da China e tive que recorrer ao empréstimo bancário para custear as despesas do Bilhete de Passagem e outras. Fui ao Banco tratar dos expedientes necessários e disse que queria um certo valor para aquela despesa e a responsável do Banco que me atendeu disse que o valor solicitado não era suficiente, pois tinha que ser um valor superior que desse para amortizar a dívida que ainda tinha para com o Banco. Disse para a senhora que o valor proposto por ela era muito exorbitante pois ainda sobrava muito dinheiro. Como na altura não tinha nenhum projeto em carteira pedi que baixasse o montante, mas ela não concordou e orientou-me a criar um projeto qualquer. Sai de lá dizendo para mim mesma: “Mas o que vou fazer com todo esse dinheiro!”

Nessa ordem de ideias, pensei: “Com esse valor, atendendo que a construção de milagrosa já terminou, vou iniciar a minha construção também.

Num dos cultos o Ministro voltou a falar sobre a peregrinação e nesse instante pensei: “Mas eu tenho dinheiro para peregrinarA parte do valor que vai sobrar. Mas isso só pode ser a vontade dos antepassados.” Assim que terminei os expedientes da minha filha peguei o valor que restou, vim a Igreja e inscrevi-me como candidata a peregrinação ao Solo Sagrado do Brasil.

Direcionei o meu pensamento em levar os meus antepassados e de toda África para o lugar de maior luz e disse: “Se eu vim para construir, um dia irei fazê-lo. Mas agora preciso levar os meus antepassados ao Solo Sagrado.

Após depositar o valor no Sector de Caravana, numa conversa com o Ministro Gervásio o mesmo disse que o valor necessário para a peregrinação seria de Três Mil e tal Dólares. Quando ouvi isso, Falei: “Ah é!? Se for todo esse valor eu não vou conseguir levar os meus antepassados para o Brasil.” Fiquei um pouco triste, mas depois disse para mim mesma: “Seja lá o que Deus quiser.” Intensifiquei as minhas dedicações mesmo com pouco tempo que tenho, comecei a participar nas orações de desafio das 6 horas, cumpria na íntegra a minha escala de plantão e outras dedicações, sempre com o sonem de que para peregrinar não é só ter dinheiro é preciso ter permissão para tal.

Um mês e meio antes da data prevista para a viagem, a responsável do sector da caravana liga para mim e diz que conseguiram o Bilhete de Passagem Luanda – Angola e se a mesma poderia comprar as minhas. Disse-lhe que sim e perguntei se o valor que havia depositado era suficiente. Ela disse que sim e depois de ter desligado o telefone fiquei a pensar: “Meu Deus já tenho Bilhete e a parte Terreste? será que o valor vai chegar? Tenho que procurar a Cleonice para saber quanto custou o bilhete.” Quando me encontrei com ela a mesma me disse que o bilhete só tinha custado cerca de 700 Dólares. E eu exclamei: “só?!” Disse dentro de mim: “Já estou no Solo Sagrado com todos os antepassados. Muito obrigada Meishu-Sama.

Na madrugada do dia 22 de Outubro, saímos de São Tomé com destino a São Paulo-Brasil via Angola. Chegamos em Luanda às 5 horas da manhã e fomos recebidos pelos irmãos messiânicos que nos conduziram ao Hotel. Visitamos a Sede Central, onde dedicamos na limpeza e ministração de Johrei. No dia seguinte, estivemos ao Solo Sagrado de Cacuaco, onde fomos saudados pelos fiéis presentes no Templo, dentre os quais estavam duas Santomenses que nos aguardavam ansiosamente para nos cumprimentar e abraçar. Seguidamente fomos ao altar e assim que começamos a Oração, um espírito manifestou-se numa delas que, entretanto, foi transportada para um outro espaço. O espírito que manifestou, falava na nossa língua materna e fomos chamados para interpretar o que o mesmo dizia. Quando nos aproximamos, percebemos que se tratava do espírito vivo de uma feiticeira. O mesmo começou a insultar dizendo que somos teimosos, porque fizeram de tudo para impedir a nossa viagem, mas mesmo assim conseguimos. Perguntou aonde estávamos a ir com toda essa luz. Disse que já não conseguiam beber mais sangue porque quase todas as casas onde tentavam entrar havia luz, através da foto de Meishu-Sama, flores e outros. Disse que estávamos a impedir os trabalhos que estavam a fazer e que das as igrejas existentes em São Tomé, nenhuma conseguiu derrubar os feiticeiros. Só essa luz é que tem estado a incomodá-los. Disse para retirarmos a foto do Japonês e enviá-lo para sua terra.

Ainda no Solo Sagrado de Cacuaco dividimo-nos em dois grupos sendo um para mexer com a terra e outro na rega e eu participei na dedicação de rega. O responsável do sector pediu para que mentalizássemos todos os nossos antepassados que estavam naquele momento no Mundo Espiritual com secura e dar-lhes de beber através daquela dedicação de rega. Após o almoço visitamos quase todo espaço do Solo Sagrado, o que me deixou muito feliz e emocionada, porque nas outras peregrinações a Sede Central, nunca tive a oportunidade de conhecer o espaço que tivemos a permissão de visitar desta vez. No mesmo dia fomos recebidos em casa do nosso querido Ministro Ary e sua esposa com um magnífico jantar o que nunca tinha acontecido comigo.

Quando arrumava as malas para deixar o Hotel, tive uma vontade extrema de entrar na internet. Ao ligar vídeo chamada, comecei a conversar com todos os meus irmãos que estão em Portugal e Inglaterra. Nessa conversa, o espírito da minha Bisavó incorporou numa das minhas irmãs para me dizer que na minha mala, não ia levar somente roupas e sapatos, mas também muita gente.

Quando chegamos no Solo Sagrado de Guarapiranga me senti no paraíso. A vontade que tenho é que se pudesse levaria os meus antepassados para lá todos os anos. A paisagem as flores, cada espaço, as estradas enfim tudo é uma maravilha. Eu até disse para as irmãs Antónia e Jesus o seguinte: “Já reparam como são os caminhos aqui no Solo? Elas não são retas. A nossa vida também é assim. Ela é feita de altos e baixos e com muitas curvas.”

Durante o período que aí permanecemos, tivemos várias actividades previamente programadas, nomeadamente aula de vivencia de Ikebana, dedicação na manutenção de paisagismo, conservação e Agricultura Natural entre outras. Visitamos também a Sede Central, Loja da Korin e a Fundação Mokit Okada. Em IPEUNA pudemos apreciar como é feita a ração para galinhas, produção de sementes hortícolas e outros.

É de salientar também que tenho irmãos e primos em Angola e das duas vezes que peregrinei a Sede Central de Angola, mesmo telefonando, nunca foram ao meu encontro. Desta vez, irmãos e primos foram ter comigo, nos abraçamos e conversamos bastante. Também no meu regresso do Brasil, durante as poucas horas que permanecemos em Angola, o meu irmão e a sua família foram ao meu encontro com comida e bebida. Enquanto comíamos ele ligou para outro irmão para cozer banana e como já era tarde, fizeram questão de levar o manjar para o Aeroporto.

Nas vésperas da nossa partida para Guarapiranga, fui agraciada com um subsídio de viagem por parte da instituição onde trabalho. Desse dinheiro retirei uma percentagem para a construção do Johrei Center de Milagrosa e 50 Dólares enviei para materializar donativo de Construção na Sede Central em Angola. A parte restante decidi guardar para custear as despesas de viagem da minha filha que ia para China de forma a minimizar os custos da compra de Dólares para a mesma. Quando as coisas já estavam confirmadas, fui para pegar o dinheiro para lhe entregar mas o mesmo sumiu. Procuramos, desarrumamos a casa toda durante uma semana e nada de dinheiro. Uma semana após o meu regresso do Brasil, ao procurar algo em casa, achei os 715 Dólares embrulhados no recibo conforme havia guardado. Quando contei o sucedido ao meu marido e filhas, todos responderam em uníssono: “Os Dólares apareceram! Isso só pode ser mistério!”

Aprendi que a minha peregrinação ao Solo Sagrado de Guarapiranga só foi possível graças a actuação dos meus antepassados, pois os meus planos era peregrinar aos solos sagrados do Japão quando as condições fossem criadas e não a Guarapiranga.

Agradeço a Deus, ao Messias Meishu-Sama e aos meus Antepassados pela grande permissão que me concederam de peregrinar ao Solo Sagrado de Guarapiranga – Brasil.

Os meus agradecimentos são extensivos aos ministros, missionários, membros e frequentadores que de uma forma ou de outra contribuíram para o meu crescimento espiritual.

A todos que escutaram o meu relato de fé, os meus sinceros agradecimentos.

Muito obrigada.