A nutrição e a dietética atuais estudam a alimentação do ponto de vista do alimento enquanto matéria, isto é, nutrição especificamente física para o corpo humano. Investigam os tipos e funções dos seus diversos componentes materiais, como os diferentes grupos de vitaminas, gorduras, minerais, antioxidantes e outros constituintes moleculares; e então, associam a falta ou o excesso destes com as doenças e os distúrbios na saúde humana.

Essa visão não é problemática, mas considerar apenas o ponto de vista quantitativo dos alimentos como a realidade total da alimentação é um problema. As pessoas tendem a encarar a nutrição pelas regras que lhes são transmitidas e são levadas a acreditar que devem pensar por meio dessas regras de nutrientes isolados – cálcio, vitamina C, ferro, etc. A nutrição moderna não mantém ou preserva a qualidade original dos alimentos, ou seja, a sua energia vital. (Gagné, 2011)

Ocorre que a energia vital dos alimentos não é um atributo material, mensurável pelos meios de que dispõe a ciência moderna. A nutrição reconhece que há redução de nutrientes em determinadas formas de preparação e processamento dos alimentos; porém, por desconhecer a energia vital, está longe de perceber os efeitos da redução deste atributo, que ocorre quando se utilizam produtos químicos na produção agrícola, no seu beneficiamento e industrialização, e quando se altera geneticamente o alimento.

Esse é o estado normal da Natureza: alimentos ricos em energia vital proporcionam àqueles que os consomem uma nutrição mais eficiente. Os cereais e as hortaliças produzidos sem toxinas e os alimentos industrializados sem aditivos químicos tendem a conservar melhor sua energia vital.

Segundo Mokiti Okada, outro ponto a considerar é que a nutrição e a dietética deveriam estudar não só o alimento em si, mas também as funções orgânicas do ser humano.

As funções orgânicas do homem são tão perfeitas que, ao nível da Ciência atual não se consegue entendê-las. A partir dos alimentos, elas transformam e produzem livremente os nutrientes necessários. (…) Se fornecermos vitaminas ou plasma sanguíneo ao corpo, considerando-os nutrientes, qual será o resultado? Acentuar-se-á o enfraquecimento do corpo. (Okada, 2002)

Quando no estado de perfeita saúde, o organismo humano consegue nutrir-se eficientemente. Tal como uma fábrica, ele processa os alimentos, transformando-o em sangue, tecidos e substâncias que manterão seu metabolismo. Se ele receber sangue, tecidos e nutrientes já processados, a “fábrica” ficará ociosa, perdendo sua função. Ingerindo-se comidas puras e cheias de energia vital, os órgãos que suprem o organismo de nutrientes trabalham mais e a pessoa rejuvenesce. Intensificar esta atividade deve ser a condição principal na questão da saúde.

O organismo saudável é capaz também de detectar quando lhe falta algum nutriente, através do desejo que sinta por determinado tipo de alimento. E, através do paladar, pode determinar quais produtos devem ou não lhe servir de alimento:

(…) Está errado ingerir contra a vontade coisas que não são saborosas, como remédios, por exemplo. A frase ‘todo bom medicamento é amargo’ também encerra um grande erro. O sabor amargo já é indicação do Criador de que aquilo é veneno e não deve ser ingerido. Assim, quanto mais saboroso o alimento, mais nutritivo ele é, porque a sua energia espiritual é mais densa e contém uma grande quantidade de nutrientes. Pela mesma razão, quanto mais frescos forem os peixes e as verduras, mais saborosos eles são; com o passar do tempo, a energia espiritual vai aos poucos abandonando-os, razão pela qual seu sabor vai diminuindo. (Okada, 2002)

Há ainda um terceiro ponto: está de acordo com a ordem da Grande Natureza que o homem se alimente preferencialmente de produtos da estação, e de espécies apropriadas à região que habita. É preciso respeitar as diferenças de clima e as características da região, pois os alimentos assim serão adequados às pessoas que aí vivem.

Fonte: Alimentação pela Agricultura Natural – Grupo de estudos – Brasil.

This post is also available in: Inglês, Francês